Por felipe.martins

Rio - Nos pés que circulam nos salões do Parlamento veem-se sapatos pretos e marrons, geralmente de couro, lisos, a maioria caros, outros poucos mais humildes. Os corpos que ali circulam esticam-se em ternos de diferentes proporções, sempre engravatados. Massa majoritariamente composta de homens brancos. É a onipresença masculina nos mostrando como a cultura patriarcal ainda domina a cena política. O Congresso é masculino e branco.

Ainda que de forma gradual tenhamos derrubado barreiras sobre a participação das mulheres nos espaços de poder, chegamos a 2015 com uma legislatura ainda repleta de distorções. Última mostra do IBGE apurou que ao menos 40% dos lares são chefiados por elas. São inúmeras mulheres corajosas, que sonham e lutam pelos seus direitos e de seus filhos. Apesar disso, ainda não chegamos a 10% na composição da Câmara, num país onde já somos mais da metade da população. Hoje somos 51 mulheres na Câmara e 13 no Senado, nem 11% do total. O que dizer, então, quando se trata de funções decisivas na estrutura do Parlamento? Sou a única deputada líder de bancada, dentre os 28 partidos que têm representação. No Senado é Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM). Apenas duas mulheres!

A chegada de Dilma Rousseff à Presidência foi um marco, mas precisamos ir além. A chave da mudança passa pela aprovação da reforma política, projeto de lei defendido por mais de 90 entidades, como OAB e CNBB. Entre as diretrizes está a eliminação do financiamento de empresas — cujo poder econômico trabalha em favor das candidaturas de maioria que vai se perpetuando e não espelha a sociedade — e a obrigatoriedade de equidade de gênero nos pleitos, luta em curso que todos devemos abraçar com coragem.

Ela dará ao Congresso o verdadeiro reflexo do país. Um espelho real do que esta nação é. Uma nação de homens e mulheres, de brancos e negros, de ricos e pobres. Uma nação que abraça a diversidade e, principalmente, que respeita e dá voz a todos.

Jandira Feghali é líder do PCdoB na Câmara dos Deputados

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