Por felipe.martins

Rio - A volta do Carnaval de rua no Rio é um fenômeno que se esboçou na década de 90. Ou melhor: sua primeira manifestação veio com a Banda de Ipanema, sob a batuta do bamba Albino Pinheiro. Mas o miolo do Centro do Rio sempre foi o berço de origem do Carnaval de rua desde o século 19.

São precisamente elas, as ruas, que voltaram a comandar a sedução sem paralelos da alma carioca. Tantos são os blocos em que a municipalidade intervém para que a cidade não pare, para que o trânsito possa fluir, para que o cheiro de urina dos foliões não infecte a cidade.

Outro viés provocador da revitalização da Folia de Momo carioca é a volta dos bailes, velha tradição dos primórdios do Carnaval no século 19. Eles se inauguraram em pleno reinado de Pedro II para a elite e a aristocracia se divertirem.

Esses bailes — que sempre foram uma tradição nos clubes e nos hotéis (até no Theatro Municipal) — têm hoje seu foco de esplendor no baile do Hotel Copacabana Palace. Costumo dizer que — por todos os diferenciais — o Baile do Copa pode ser considerado o mais sedutor, único e original do mundo. O que, acreditem, não é exagero. Tal como as escolas de samba são hoje o mais radioso espetáculo de arte popular e de espontaneidade que qualquer povo produz.

O Baile do Copa exibe a cada ano uma decoração variada que encanta e seduz suas centenas de frequentadores. Ele se dá o privilégio de não apenas servir as mais refinadas iguarias em seus bufês, mas também de contratar dezenas de figurantes — devidamente fantasiados — para sustentar a animação nos salões. Ou seja: luxo, beleza, qualidade e glamour. Em resumo, o Carnaval do Rio, que começa esta semana, esbanja diversidade e também possibilidades radiosas de que volte a alegria nestes tempos sombrios.

Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cultural Cravo Albin

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