Milton Cunha: Ecos pré-carnavalescos

Queria que baixasse nela aquele espírito de pomba europeia treinada para voar em abertura de Olimpíadas...

Por O Dia

Rio - Um antigo colégio na Rua do Riachuelo foi restaurado, e dele emergiu um lindo hotel, o Vila Galé, perto dos Arcos da Lapa. A fachada cor de rosa é o máximo, e por trás dela, descortina-se um jardim enorme com piscina, que você não desconfiava do lado de fora, com ruas lotadas de carros barulhentos e da correria das pessoas. Você sai da câmera rápida para a câmera lenta em 5 segundos, parece uma viagem.

Em volta disto, os prédios do velho bairro de Madame Satã. Localização privilegiada e uma vocação para feijoadas de Carnaval, pois durante três sábados consecutivos participei delas. E como a relações publicas é a adorável Beth Jardel, que foi a mulher de Jardel Filho, imaginem o naipe de amigos velha-guarda que ela conseguiu movimentar durante os fins de semana: Lady Francisco, Alcione Mazzeo, Adele Fátima, Rosamaria Murtinho, Terezinha Sodré. De repente, dava para montar um júri do Cassino do Chacrinha, tipo anos 80, com aquele naipe de estrelas. Eu adoro me lembrar delas nuas na ‘Playboy’. Muito bacana.

Fora o hotel que virou meu xodó (essa expressão é totalmente ultrapassada), todo ano na lavagem da Sapucaí não há pombinha da paz que consiga levantar voo. No ano passado, contei pra vocês que eu do palco narrei para lentes de TV e fotógrafos que a modelo vestida de Carmen Miranda iria soltar a pomba, e defronte de tudo e todos, a pomba bateu um metro de asas e pumba! Estatelou-se na pista. Calor? Energia negativa?

Asas presas durante muito tempo? Pomba estressada? Pomba que se recusa a dividir o estrelato com a gente? Sei lá, passa tudo pela minha cabeça. Pois este ano foi a vez de tia Glorinha, a maravilhosa presidente das Baianas do Salgueiro, ter a ideia de levar a pomba. Tremi quando vi a coitadinha ali, para o desfile. Mas me fiz de louca e disse pra Tia: solta lá no meio da pista, quando a gente atravessar a marca de meio da Sapucaí.

Desfilei olhando a pombinha pelo rabo do olho, como se eu pedisse a Deus que baixasse nela aquele espírito de pomba europeia treinada para voar em abertura de Olimpíadas. De onde aquelas pombas tiram forças? Acho que são alimentadas com leite de vaca suíça desde que nasceram para virarem estrelas. Na hora marcada, Glorinha lança a pomba para o alto e a bicha cai dois metros depois.

Alguém correu, catou a ave para que ela não fosse pisoteada pelo exército de baianas, e como gato escaldado tem medo da água fria, imploro: desistam das pombinhas. Será que ano que vem, se eu levar um flamingo belo, alto e magro, para ele dar pinta ao meu lado, elegantérrimo, será que estará resolvida a questão ave na lavagem da Sapucaí?

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