Wilson Diniz: Missa para Dilma?

A vitória do PMDB ao aniquilar o amadorismo dos estrategistas do governo na disputa pelas presidências do Congresso sela a derrota e a morte agonizante da presidenta

Por O Dia

Rio - A detecção do futuro é o objetivo mais nobre dos analistas e estrategistas de cenários políticos. Quem puder antecipar as tendências do provir sem o manejo de interesses diversos e com neutralidade científica será reconhecido por aqueles que precisam de informações para projetar o amanhã.

Os fenômenos quase imprevisíveis que balizam a atual crise internacional, de que tratamos semana passada, formam conjunto de equações previsíveis detectadas pelos economistas e estrategistas internacionais. Aqui no Brasil, 2014 foi marcado por erros de previsões em todos os campos, mas é na equipe de governo da presidenta Dilma onde se encontram os maiores especialistas em projetar cenários equivocados, maquiando dados da realidade econômica das contas públicas, gerando crise de governabilidade e perda de apoio da base aliada.

A vitória do PMDB ao aniquilar o amadorismo dos estrategistas do governo na disputa pelas presidências do Congresso sela a derrota e a morte agonizante da presidenta, que fica refém de duas ‘raposas’: Eduardo Cunha e Renan Calheiros, especialistas em lidar com jogadas complexas de manutenção de poder do PMDB.

As derrotas fragorosas do governo criam ambientes de turbulência, onde serão colocadas para votação pautas que contrariam o poder de negociação e de governabilidade da presidenta. A Reforma Política será aprovada seguindo os manuais dos peemedebistas e dos tucanos liderados por Renan Calheiros, José Serra e Aécio Neves no Senado, sustentado por Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados.

Entra em debate, agravando a crise, a possibilidade de impeachment da presidenta, em parecer do jurista Ives Granda, fundamentado nos Artigos 11, 37 e 85 da Constituição e na Lei 8.429/92. A hipótese da perda de mandato da presidenta decorre da vontade política, mas tem escopo na Lei.

A pesquisa Datafolha publicada no último domingo, apontando que a presidenta Dilma está em queda livre de aprovação de seu governo (44%), sinaliza que o ciclo de poder do PT está se esgotando. Neste ambiente caótico em que navega a presidenta, as sentenças do juiz Sérgio Moro, no caso Lava Jato, e a insurreição quase surda do grupo político do ex-presidente Lula contra a cúpula do Planalto fecham o quadro mórbido em que Dilma se encontra. 

Para este analista, só resta Dilma, a caminho do mausoléu dos historiadores, ser velada ao som do ‘Réquiem’ de Mozart, seu compositor preferido.

Wilson Diniz é economista e analista político

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