Carnaval público e privado

A conflituosa relação entre empresários e vendedores ambulantes durante o Carnaval é assunto recorrente há anos

Por O Dia

Rio - A conflituosa relação entre empresários e vendedores ambulantes do Rio durante o Carnaval é assunto recorrente há anos, principalmente depois que o Carnaval de rua da cidade virou o queridinho dos foliões. De um lado, estão os ambulantes, que atuam livremente nas vias e vendem muita bebida alcoólica no meio dos blocos, sem que haja controle sanitário ou mesmo a garantia de origem dos produtos comercializados. Do outro, temos os donos de bares e restaurantes, que pagam impostos e aluguel, cumprem as regras das rigorosas e constantes fiscalizações da Anvisa e veem seu movimento prejudicado pela ação desses vendedores. Esta semana, o SindRio e representantes do Polo Novo Rio Antigo se reuniram para debater a questão.

O que vemos, claramente, é que a prefeitura, em vez de inibir, incentiva o comércio ilegal. Na Lapa, por exemplo, os ambulantes vendem cerveja na porta dos estabelecimentos. A questão é delicada e, justamente por isso, o SindRio alerta a prefeitura a traçar antecipadamente um plano para tornar essa concorrência mais justa. Sugestões não faltam. Uma delas é que sejam criados corredores em meio aos blocos que possibilitem um acesso mais fácil aos bares e restaurantes, que ficam escondidos no meio de tanta gente. Outra preocupação é em relação aos banheiros públicos. Por mais que sejam instalados em vários pontos, eles não são suficientes para atender ao grande fluxo de pessoas. Além disso, sua manutenção é ruim, e a limpeza não é eficiente. Assim, muitos foliões utilizam os banheiros dos estabelecimentos como se fossem públicos.

Por ser um sindicato patronal que zela pela prosperidade do empresariado, o SindRio tem o papel de sinalizar a prefeitura sobre a necessidade de colocar tais questões em pauta, estudar estratégias e, no próximo Carnaval, criar soluções que tornem a convivência entre ambulantes e empresários mais harmoniosa, através de discussões organizadas antes do período carnavalesco. A prefeitura deve ouvir os empresários, que têm experiência e criatividade, para que as decisões sejam satisfatórias para ambos os lados e para que todos tenham um Carnaval alegre e produtivo.

Pedro de Lamare é presidente do SindRio

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