Hugo Leal: Carnaval responsável

O enredo carnavalesco então tem que ser folia e responsabilidade. Para os motoristas, motociclistas e pedestres

Por O Dia

Rio - O Carnaval é a festa popular mais importante do Brasil. São quatro dias de alegria. Mas, muitas vezes, a irresponsabilidade e os exageros ‘atravessam o samba’ e transformam a folia em tragédia para milhares de famílias vítimas de acidentes de trânsito.

Estatísticas mostram que os números de mortos e feridos nas estradas e ruas do Brasil em feriados prolongados continuam alarmantes. Dados das seguradoras responsáveis pelo DPVAT demonstram que a invalidez permanente é o trauma com maior crescimento, especialmente entre os motociclistas, devido a acidentes no Carnaval.

A despeito de, em 2014, ter havido redução de 9% no número de acidentes e de 6% nas mortes no feriadão carnavalesco, 155 brasileiros perderam a vida e 1.823 ficaram feridos nas estradas federais durante a folia. São números inaceitáveis.

E esses dados chamam a atenção não só por serem elevados, mas também por atingir, em grande parte das vezes, os jovens, na idade produtiva da vida. E o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas. Em aproximadamente 70% dos acidentes violentos com mortes nestas épocas de festas, ainda de acordo com as estatísticas, o álcool é o principal responsável.

O enredo carnavalesco então tem que ser folia e responsabilidade. Para os motoristas, motociclistas e pedestres. Não utilizar celular ao volante ou ao atravessar ruas; usar sempre o cinto de segurança, inclusive no banco traseiro; dirigir com atenção e no limite de velocidade; respeitar a sinalização e as leis de trânsito; descansar antes de viagens prolongadas e não ingerir bebida alcoólica quando for dirigir são atitudes simples que podem fazer a diferença entre a vida e a morte no dia a dia e especialmente em datas festivas como o Carnaval.

O poder público vem agindo de forma efetiva nos últimos anos para reduzir as estatísticas macabras do trânsito no Brasil e cristalizar uma nova postura ao volante. No entanto, ainda há muito a ser feito. A alegria pela Festa de Momo não pode ser confundida com ‘salvo-conduto’ ao volante.

Vamos aproveitar o Carnaval com tranquilidade e alegria, mas sempre pensando na vida. Como diz o poeta, o samba não pode morrer, o samba não pode acabar.

Hugo Leal é deputado federal pelo Pros e autor da Lei Seca

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