Por bferreira

Rio - Foliões veteranos se referiam ao Carnaval como “Tríduo Momesco”. A Quarta-Feira de Cinzas, apesar do meio expediente, era dia útil. A festa durar só três dias, porém, é item de museu. Na prática, hoje, perde-se uma semana inteira com a folia e principalmente com as prejudiciais extensões — ou, no jargão, os inevitáveis enforcamentos. Em consequência disso, desde ontem, o Rio segue em marcha lenta. Tudo leva a crer que o Estado só voltará à normalidade na segunda-feira.

O Carnaval é uma importantíssima data, à qual o Brasil nutre incomparável devoção e dela sempre tira bom proveito. Basta ver o milhão de visitantes que vieram ao Rio para o feriado, movimentando e aperfeiçoando o turismo. E há muitos outros exemplos de como a folia é benéfica: o desfile das escolas de samba sustenta uma indústria pulsante o ano todo, e a rica oferta de eventos, com a multiplicidade de ritmos em todo o país, é um incontestável chamariz no mundo inteiro.

É justo, porém, questionar essa suspensão prolongada e compulsória do país. A Justiça retornou aos trabalhos ontem, mas um sem-número de órgãos do Executivo e Legislativo seguia dormente. A Educação é que mais sofre com o hiato, com escolas vazias impondo o primeiro baque ao recém-iniciado ano letivo. Os profissionais que lutam por educação de qualidade deveriam reagir, nas salas de aula, a esta pausa modorrenta e injustificável.

O Carnaval está tão enraizado que muitos consideram só um pecadilho enforcar dois dias e ter miniférias em fevereiro ou março. É salutar dar uma pausa e brincar, mas o país está muito longe de uma bonança que sustente tantos dias perdidos.

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