Por bferreira

Rio - Não é surpreendente faltar água e luz no Brasil. Quando como os buracos são tapados nas ruas, meu pensamento é: alguém que não consegue fechar um buraco direito tem capacidade para gerir um país? Também é muito difícil encontrar bons encanadores, eletricistas e pedreiros para manutenção de casa.

Ninguém cumpre prazo, e a qualidade dos serviços é sofrível. O capricho parece ser algo que não existe. Se isso ocorre no que é mais visível e que afeta nosso cotidiano, imagine o que se passa em locais a que não temos acesso, ou em atividades mais complexas da economia e das empresas. Damos um foco enorme em tecnologia e inovação, mas falta fazer o básico funcionar.

Existem tão poucos profissionais qualificados que até eles começam a entregar com qualidade inferior, pois estão sobrecarregados e cansados. Esse problema exige ação direta não só da empresa, mas também do governo (sim, aquele mesmo que não sabe tapar um buraco e manter o fornecimento de água e de energia).

É verdade que as empresas desejam a tecnologia, o aplicativo e o sistema mais avançado possível, mas se esquecem das pessoas. Elas precisam investir mais no treinamento e em métodos que possam contribuir com o desempenho e a qualidade do trabalho de seus profissionais. Já os governos precisam reduzir a carga de tributos e de burocracia para a contratação de funcionários. É difícil imaginar um RH centrado em desenvolvimento de profissionais e líderes quando o governo o afoga em leis de trabalho anacrônicas. E, para piorar, querem sobretaxar as empresas menores, que são as principais geradoras de emprego e renda.

Embora seja importante falar sobre inovação, deveríamos falar primeiro sobre como fazer o básico funcionar. E o básico depende das pessoas. Deveríamos focar nelas e oferecer-lhes as melhores condições para que seu talento agregue valor para a empresa, os clientes e a comunidade. Ninguém fará isso ganhando pouco, ou tendo seu trabalho excessivamente tributado.

Sílvio Celestino é sócio-fundador da Alliance Coaching

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