Por bferreira

Rio - A greve dos caminhoneiros em todo o país, a despeito de suas plausíveis reivindicações, repete erro grave observado nas últimas manifestações trabalhistas. A exemplo da meia dúzia de terceirizados do Comperj que parou Rio e Niterói numa absurda caminhada pela Ponte, os motoristas cerceiam o direito alheio para fazer valer a própria vontade. O sequestro das estradas só não é pior porque automóveis e ônibus podem passar. Todos os veículos de carga, porém, são ‘convidados’ a aderir à paralisação.

Obviamente, o país já contabiliza os prejuízos desse levante. Espera-se até um impacto na inflação — e o IPCA-15 deste mês já indica alta bem acima do teto da meta, de 7,36% — por causa da escassez de alimentos. Explica-se: os que estão na estrada inevitavelmente estragarão, e os que deveriam sair das lavouras não têm como ser escoados. Com a redução da oferta, reajustam-se os preços, todos pagam.

Mas antes fosse o transtorno ficar restrito apenas à logística dos alimentos. Com as rodovias travadas, tudo o mais periga não chegar ao destino: encomendas, medicamentos vitais e até o combustível que abastece os caminhões e pelo qual os motoristas protestam. Quadro preocupante que pode degringolar para um cenário de caos.

O Brasil é um país que assegura o livre direito de protesto, e os caminhoneiros podem e devem fazê-lo, se entendem que as condições, como o preço do diesel, não estão favoráveis e prejudicam a sua atividade. Mas não é razoável impor a manifestação, prejudicando a todos. É o erro de estender o transtorno, estratégia equivocada que em nada contribui para a causa, seja qual for ela.

Você pode gostar