Por bferreira

Rio - ‘Vai ou não à passeata pelo impeachment?’ “Com Aécio eleito, tudo estaria diferente?” “Quem salvará nosso país?” “Existe essa pessoa?” Essas foram as dúvidas da semana passada. Complicada resposta! Todo brasileiro tem teoria para salvar a pátria. Especialistas em política e economia sinalizam os caminhos do equilíbrio. Mas fica a pergunta: a solução está em alguém, em todos nós ou na remoção do tumor? Vale refletir.

Se acatamos um partido, outro inviabiliza. O comportamento é neurótico. E neurose não quer solução, quer problema. Diante da solução, ela inviabiliza na hora com argumentos estruturados deixando crédulo quem escuta. Só um porém: se sabem tudo que não dá certo, deveriam saber o que dá, mas não. E o que acontece? Experimente perguntar qual é a solução, que a resposta é certeira: “Não sei!”.

Vivemos dias desesperados, todos têm ideias fantásticas e convictas nessa ciranda, só que nada anda. Resolver é perigoso, implica sair do lugar do suposto conforto e permanecer nessa situação estagnada. Quem está ganhando não quer perder; quem está perdendo quer ganhar. O ganhador, ao contrário, claro, não quer trocar de lugar.

Lá se vai o país nessa luta do rochedo contra o mar, que nos faz náufragos. É bonito ter opinião contra, civilizada, inteligente. Isso mostra cultura e saber. Vale lembrar: há distância entre teoria e prática, bem como um abismo entre o ideal e o real. Certas situações não têm conserto, não aceitam remendo. Triste constatação! A crise começou há anos, produziu corrupção endêmica que não sara. Progrediu e está no auge do seu agravamento.

O consumismo tomou conta dos nossos políticos, eles não ficam no vermelho, fazem da nação um caixa eletrônico, vide patrimônio e vida particular, tudo vem da arrecadação. Inconsequentes, esqueceram que o déficit apareceria, e o país acabou no cheque especial. É difícil imaginar soluções rápidas ou sugerir qualquer coisa.

Revelo-me descrente diante desse enorme paciente terminal chamado Brasil! Rio, não sei se com razão ou sem, de mim e de quem pensa no impeachment como solução. Enquanto isso, toca na vitrola, por coincidência ou ironia, refrão premonitório de uma antiga canção: “O que não tem conserto nem nunca terá... Que será, que será?” Só o tempo vai responder. O tratamento dessa doença vai ser longo.

Fernando Scarpa é psicanalista

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