Por felipe.martins

Rio - Quando uma multidão formada preponderantemente pela classe média alta vai às ruas protestar como aconteceu no domingo, de norte a sul do país, tem garantido o seu direito de se expressar livremente e o faz pacífica e ordeiramente, ganha o espetáculo da democracia e da cidadania. O importante é reconhecer convergências em movimentos tão antagônicos e responder prontamente. Tanto as passeatas a favor da presidenta de sexta-feira, organizadas por tabalhadores e sindicalistas ligados ao partido do governo, como a tsunami verde amarela de domingo, convocada nas redes sociais, convergiram para o mesmo ponto em comum: a indignação contra a corrupção que empesteie em todos os níveis e, no final, castiga toda a sociedade, sejam pobres ou ricos.

Reconhecer essa demanda com humildade, como acenou ontem a presidenta Dilma Rousseff, e criar condições efetivas para o seu combate é o primeiro passo para a correção de rumos e reversão do atual quadro, dentro da normalidade e sem percalços políticos.

Agora, é mortalmente ferida a democracia quando alguns se aproveitem de movimento pacífico para empunhar faixas e cartazes pedindo intervenção militar, como visto nos mesmos protestos. O pleito ilegítimo e imoral não deixa de ser uma afronta aos brasileiros e uma forma de atentado contra a própria história da Nação.

O golpismo defendido por alguns equivocados não pode encontrar espaço livre nem respaldo nesses movimentos. Esses cartazes são uma forma de violência infinitamente mais odiosa do que os confrontos e quebra-quebras promovidos por radicais em protestos recentes. Devem ser rechaçados com igual veemência pelos que hoje dizem lutar por um país melhor e mais justo.

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