Por felipe.martins

Rio - O jornal O DIA na série de reportagens com o título ‘Condenados inocentes da Lava Jato’ fotografou a dura realidade da cidade de Itaboraí, onde mais de 12 mil trabalhadores foram jogados ao léu no mercado de trabalho sem esperança de conseguir um novo emprego. Os repórteres mostram imagens e depoimentos de trabalhadores que retratam cenas de época de país em reconstrução pós-guerra.

Na abertura da matéria, temos: “Os trabalhadores são os primeiros sentenciados numa história onde mocinhos e bandidos trocam de lado e os operários é que vivem atrás das grades invisíveis, presos ao desemprego...” Quando li a matéria me passou logo na cabeça o teorema do filósofo da escola liberal, Benjamim Constant. Em uma de suas afirmações diz que, “quando o governo corrompe, leva o cidadão ao extremo da vileza e do crime, desfecha um golpe de moralidade em cadeia, porque oferece a todos o exemplo do crime recompensado”.

No caso, o trabalhador é o primeiro a ser condenado e ricos têm recursos jurídicos para ser absolvidos mesmo cometendo crimes consecutivos.

Diante dos depoimentos dos desempregados, busquei na arte do cinema algumas películas que explicam a ‘depressão econômica’ ocorrida nos anos 30, quando a economia mundial passou pela maior crise da história do capitalismo, na época, o ‘New Deal’, quando as economias entraram em colapso com desemprego crônico em função da superprodução e da acumulação de capital.

O filme, ‘Esta Terra é Minha Terra’, dirigido por Hal Asby, conta a história de um cantor (Wood) que diante da depressão econômica desiste de ficar na sua cidade natal e parte em busca de novos horizontes no estado da Califórnia onde poderia conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Seu destino muda quando outro artista (Ozark Bule) que fazia canções de protestos para incentivar os desempregados a se organizarem em sindicatos o convida para cantar no rádio. Wood de desempregado passou a ser artista famoso no país.

Em Itaboraí, os relatos dos repórteres fotografam as consequências do êxodo rural e urbano quando centenas de trabalhadores desembarcaram em Itaboraí, atraídos pelo oásis dos bons salários pagos pela Petrobras. Hoje, ao léu e sem perspectivas, dormem em praça pública sem a esperança de encontrar um cantor como Ozak.

O New Deal é aqui.

Wilson Diniz é economista e analista político

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