Por bferreira

Rio - O Rio vive reedição da greve dos garis, com a marca do desrespeito à população e à Justiça. A deste ano é alimentada pela impunidade na de 2014, quando a greve se deu no Carnaval, com a cidade cheia de visitantes. Na ocasião, o prefeito Eduardo Paes, homem da paz e do amor, foi fraco e cedeu no desconto dos dias parados ao arrepio da lei. A situação não ficou mais grave pela coragem de parcela significativa da categoria que não aderiu e teve proteção policial para trabalhar. Desta feita, a adesão também não foi total, apesar das intimidações, incluindo agressões.

Os garis se constituem em servidores eficientes. A Comlurb é reconhecida pela gestão competente, sendo prova seu trabalho em megaeventos, como o Réveillon e o Carnaval. E sabe remunerar com justiça e proporcionar benefícios além do salário. Deveria é mostrar sua política de pessoal progressista. Para os padrões do país, os trabalhadores não têm do que reclamar, especialmente nesta abusiva greve.

O país vive momento delicado. O estado e a capital sofrem com isso e com fatores externos, como a queda no preço do petróleo, que afeta os royalties. Não é momento para pressão. Não há espaço para aumento de impostos, no caso na taxa do lixo. A prefeitura executa obras de porte, a despeito das Olimpíadas. Ou seja, a deflagração da greve foi no mínimo inoportuna.

O desfecho do movimento determinará o clima das relações trabalhistas municipais no resto do ano, incluindo outros serviços essenciais, como Saúde, Educação e transportes. Infelizmente para estes as regras para greves eram muito bem definidas, mas foram eliminadas demagogicamente na atual Constituição. Mas este equívoco não pode justificar um movimento como o dos garis, manipulados pelos radicais. Tumultuar o país com greves, como a dos professores paulistas neste momento, não vai ajudar o Brasil a vencer a crise. Muito pelo contrario.

Os governos não podem ser reféns de grevistas, de bloqueio de estradas, de invasões urbanas ou rurais, dos radicais desocupados que tomam as ruas em dias de semana. Democracia não é isso. Manifestação de quem trabalha é aos domingos. A população é pela ordem, pelo trabalho e pela justiça social. Paga impostos, colabora com a cidade neste momento de obras que afetam seu dia a dia, confia nos governantes. Mas deles espera o legítimo exercício da autoridade.

Aristóteles Drummond é jornalista

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