Editorial: Gestão mais profissional no futebol

Atrasos de salário, por exemplo, não mais serão tolerados

Por O Dia

Rio - A renegociação de R$ 4 bilhões em dívidas, detalhada em medida provisória assinada ontem pela presidenta Dilma Rousseff, tem potencial para enfim tirar os clubes de futebol do país do amadorismo empresarial. As sanções previstas na MP — caso o Congresso não as desfigure, cabe ressaltar — obrigarão os cartolas a adotar estratégias para sanear suas finanças.

Atrasos de salário, por exemplo, não mais serão tolerados. Isso é o mínimo que se espera de qualquer empreendimento — sejam cadeias de fast-food, indústrias de navipeças ou clubes de futebol. A MP também prevê abrir as caixas-pretas que se tornaram as contas dos times ao impor auditoria externa. Não são condições inconcebíveis diante do prazo maternal de 20 anos para quitar todos os débitos com a União.

A renegociação ainda reserva um cuidado com as categorias de base e o futebol feminino. Cada clube deverá manter e comprovar investimento mínimo nessas divisões. Poucos são os times — como o Fluminense — que dispõem de bons nomes entre os mais novos. Com o ‘celeiro’ desbastado, o elenco médio no Brasil perde qualidade. Nos últimos anos, no desespero de fazer caixa, tem crescido o êxodo de jogadores brasileiros para mercados inexpressivos ou mesmo medíocres, e quem perde é o futebol brasileiro, cuja referência mais recente é o vexaminoso 7 a 1 da Alemanha na Copa do Mundo.

Boas ideias existem no mundo todo, e quase todas passam por ações de marketing e programas de sócio-torcedor, que começam a ganhar força por aqui. Com esforço, boa vontade e clareza, os clubes reduzirão o peso da dívida e colecionarão vitórias.

Últimas de _legado_Opinião