Por adriano.araujo

Rio - O imbróglio da demissão sumária de Cid Gomes do MEC, após o entrevero no plenário da Câmara, se manteve tensas as relações entre o Planalto e o Congresso, também desnudou questão cara ao país: a atual composição dos Ministérios de Estado. No rastro da defenestração do cearense, ressurgiram debates sobre fisiologismo, interesse partidário, capacidade técnica e o tamanho da máquina pública.

Ao anunciar os nomes de sua equipe para o segundo mandato, a presidenta Dilma Rousseff mais ouviu críticas que elogios. Os mais mordazes acusaram o governo de parir o pior do loteamento — mas, sem a tradicional partilha de cargos e poderes, não há base aliada que se sustente.

À saída de Cid, aventou-se uma reforma ministerial, supostamente defendida por Lula, prontamente negada por Dilma, que a esta mexida se referiu como um ‘não exemplo’ de “panaceia” — ou a solução para todos os males do governo. A presidenta sinalizou que para a vaga no MEC indicará um nome técnico. Pegando carona nas discussões, o PMDB anunciou que vai apresentar PEC que reduz para 20 os hoje inchados 39 ministérios.

Surgem então algumas perguntas. É realmente necessária uma esplanada com quase 40 órgãos? Um perfil mais técnico nas pastas estratégicas, em vez de nomeações de políticos alheios ao tema, não seria o ideal — ainda mais em tempos de Lava Jato e um pouco de luz em enraizados esquemas de desvio de dinheiro público? O PMDB cortaria na própria carne nesse enxugamento proposto?

Dilma diz que mexer em seu Ministério não resolveria seus problemas. Mas considerar ajustá-lo, diante desta grave crise política e econômica, faria um bem necessário e ansiado ao país.

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