Wilson Diniz: Dilma não tem discurso

Assessores de Dilma deveriam ler parte da literatura disponível sobre como Obama tornou-se a maior liderança do planeta em comunicação

Por O Dia

Rio - As vitórias de Bill Clinton e de Barack Obama, nos Estados Unidos, foram sem dúvida influenciadas pelos apelos da economia e da esperança de acreditar em mudanças por um futuro melhor. Clinton contagiou o eleitorado ianque com o mote “Ainda é a economia, estúpido!”. Obama embriagou o povo com a mensagem “Yes, we can!” (“Sim, nós podemos!”). Dilma tem o slogan “Pátria Educadora”.

O tema de Obama era abstrato como ideia central, mas detinha um apelo histórico que resgatava a autoestima e a saga do povo americano. O discurso de Obama iniciou uma nova era de como se fazer política: utilizou todos os meios de comunicação e muita tecnologia. Arregimentou ‘experts’ em aplicativos e redes sociais, dentro do conceito do on-line para o off-line. Contratou Chris Hughes, de 24 anos, cofundador do Facebook. O resultado foi estrondoso. Jovens com mais de 18 anos abraçaram a campanha, convocando lideranças emergentes pela internet em vários cantos do país. Obama foi vitorioso ao perceber que o nicho eleitoral da juventude seria decisivo nas eleições de 2008 nos EUA.

Com o aparato pró-internet, arrecadou mais 600 milhões de dólares em doações. Entrou em cena com sua capacidade de retórica encantadora, com técnicas de ator de multidões. Com gestos expressivos, entonação da voz e sorriso seguro, acenou para o eleitorado que o país precisava de novos horizontes. Em tom emocional, dosou o discurso intercalando palavras-chave que entraram nos corações e mentes dos americanos.

Dilma faz tudo ao contrário. Seus assessores deveriam ler parte da literatura disponível sobre como Obama tornou-se a maior liderança do planeta em comunicação. Mesmo entendendo que a presidenta não foi clonada no laboratório dos grandes oradores, ela poderia tirar alguns ensinamentos e ser menos ‘carrancuda’ quando se comunica.

Nos últimos discursos na TV, sua fala irrita o telespectador e não o convence, pois é incapaz de usar a inflexão da palavra na arte da sedução. Seu discurso é carregado de frases decoradas, ratificando a imagem de ser dura com meio mundo, a começar com os seus subordinados.

Fechando o quadro, o seu lema é vago. “Pátria Educadora”. Que diferença entre Clinton e Obama? As redes sociais já estão em reuniões Brasil afora planejando as manifestações do dia 12 de abril e as de 1º de maio. Sem discurso e sem apoio no Congresso, Dilma agoniza.

Wilson Diniz é economista e analista político

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