Esther Guimarães: Vencendo a dislexia

É importante que a sociedade esteja preparada para ouvir frases como: ‘Sou disléxico, mas sou capaz. Só preciso me adaptar’

Por O Dia

Rio - Às vezes me pergunto se a sociedade em algum momento esteve preparada para administrar e enfrentar as diferenças que, a olho nu, não conseguem ver. Diferenças nascidas, na maior parte das vezes, de distúrbios singulares e que necessitam de atenção, como a dislexia. A doença afeta 7% das crianças brasileiras e cerca de 10% da população em todo o mundo. Estes apresentam dificuldade de leitura e de ortografia, déficit de atenção, hiperatividade ou mesmo barreiras para ler e compreender.

Nenhum dos pontos que citei é de fácil administração. Cada indivíduo possui sua particularidade dentro desse transtorno; porém, com a maturidade, crescimento e sobretudo com ajuda profissional capacitada e contínua, boa parte dessas pessoas passa quase despercebida por colegas de trabalho e até mesmo em suas vidas acadêmicas.

Para que essa superação aconteça, é necessário um enfrentamento pessoal, pois o maior preconceito pertence, muitas vezes, ao próprio portador do distúrbio. Isso pode acontecer quando o indivíduo se afasta da sua busca por qualificação ao se deixar intimidar por comentários levianos de colegas e professores que, infelizmente, possuem um entendimento equivocado. Na maior parte das vezes, essas pessoas são incapazes de enxergar a singularidade de cada um.

Este tipo de ignorância acontece devido a um estigma: “Se não consigo enxergar seu problema, você está mentindo”. Essa atitude invade de maneira brutal a vida de qualquer pessoa que assuma a diferença publicamente. É importante que a sociedade esteja preparada para ouvir frases como: “Sou disléxico, mas sou capaz. Só preciso me adaptar.”

Esse pensamento deve acontecer primeiramente no interior de cada um daqueles que sofrem com o distúrbio. A partir daí, tudo começará a mudar para melhor, pois todo o seu empenho será reconhecido pela capacidade de vencer os obstáculos, principalmente os de aprendizado. Por isso é importante que aqueles que são acometidos pela dislexia sejam felizes e demonstrem com coragem suas capacidades. É importante que cada uma dessas pessoas deixe que seu próprio brilho resplandeça em seus atos e condutas ao rebater as ofensas da sociedade com a sua capacidade.

Esther Guimarães é escritora e apresentadora

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