Editorial: A recessão perversa da corrupção

Diante dos dados esclarecedores da FGV e do Cedes, é imprescindível buscar, o quanto antes, política de tolerância zero com desvios, malfeitos, caixa dois, taxas de sucesso e outros crimes de lesa-pátria

Por O Dia

Rio - Mensalões, petrolões e que tais não apenas surrupiam milhões do Erário, ferem o orgulho da Nação ou abalam a reputação de políticos, empresas e instituições: a corrupção também corrói implacavelmente o Produto Interno Bruto, como O DIA mostrou sexta-feira. Levantamento da Fundação Getúlio Vargas e do Centro de Estudos de Direito Econômico e Social calcula redução de R$ 87 bilhões no PIB com os desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga o superesquema de propinas que tanto prejudicou a Petrobras.

A conta apresentada  pela FGV e pelo Cedes considera cortes nos investimentos — decorrentes da ‘política de austeridade’ depois que o rombo foi descoberto — e projeta os impactos nos setores dependentes. Chegou-se aos R$ 87 bilhões prevendo a totalidade desse efeito cascata.

A reportagem deu alguns exemplos do que poderia ser feito com esse dinheiro. Seria possível erguer, com folga, um milhão de novas residências do Minha Casa, Minha Vida ou tentar despoluir a Baía de Guanabara quase 50 vezes.

Não se pode transigir qualquer tipo de corrupção. Diante dos dados esclarecedores da FGV e do Cedes, é imprescindível buscar, o quanto antes, política de tolerância zero com desvios, malfeitos, caixa dois, taxas de sucesso e outros crimes de lesa-pátria. Já se perderam muito dinheiro e oportunidades para a ladroagem no poder público.

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