Eduardo Adas: Ideias para o mundo

Apresentar ideias, mais de que um dom, é questão de treino

Por O Dia

Rio - ‘I have a dream.’ Com essa frase na cabeça, algumas folhas de rascunho nas mãos, microfone à frente e sem apoio visual (impensável para a época e ocasião), Martin Luther King fez o discurso histórico que 50 anos depois ainda é lembrado como o que mais influenciou a humanidade. Para além de seu conteúdo riquíssimo, a fala é citada por dez entre dez especialistas em oratória, quando abordam as técnicas de apresentação e os mandamentos para cativar o público. As características de liderança que King possuía e como a oratória o ajudava são inegáveis. Mas as lições que podem vir desse discurso apontam para um caminho muito além dos programas eletrônicos de apresentação, como o PowerPoint.

Apresentar ideias, mais de que um dom, é questão de treino. Uma ideia, para ser transmitida, tem que ser bem contada. É necessário um roteiro envolvente, com começo, meio e fim. Sendo um começo em que a plateia seja imediatamente ‘pescada’ e se interesse, um meio em que a ideia é passada de forma cativante — e para isso é necessário acreditar no que é dito — e um fim apoteótico. Com esses componentes, o público sairá arrebatado.

Sem demonizar os queridinhos programas de apoio visual e colocando-os no lugar devido — de suporte ao apresentador —, é importante que fique claro quem manda. O palestrante é — ou pelo menos deveria ser — o dono de si mesmo, senhor absoluto de todas as ideias e, acima de tudo, convicto e apaixonado por essas mesmas ideias, para conduzir o público ao longo do tempo previsto. Sem essas características, não há PowerPoint que salve.

Pesquisa do Data Popular e da Soap apontou que 87% dos entrevistados acreditam que apresentações podem ser decisivas para fechar um negócio. E pelo menos 93% estão dispostos a treinar para alcançar o estado da arte em apresentações. Eles sabem das dificuldades e desconhecem como atingir esse objetivo. Sonham em almejar a eloquência, a convicção e a paixão de King. Enfim, ganhar o mundo. Pelo menos o seu mundo.

Eduardo Adas é diretor-executivo da Soap

Últimas de _legado_Opinião