Por bferreira

Rio - Nos últimos meses a energia elétrica subiu 60%, consequência de estratégias equivocadas do governo e da má sorte climática. O impacto dessa disparada na inflação foi inevitável, e o IPCA de março, de 1,32%, pressionou ainda mais o acumulado nos 12 meses, ultrapassando a barreira dos 8%. Poucos na equipe econômica acreditam ser possível chegar, no fim deste ano, ao teto da meta, de 6,5% — que dirá ao centro, de 4,5%. Cenário que pede cautela.

Combater a inflação é trabalho de paciência e multissetorial. No que toca à energia, diante de novas majorações previstas ainda para este ano, é primordial retomar o controle. A adoção das bandeiras tarifárias, um fato positivo, deixou mais claro o cálculo da luz para o consumidor, incentivando-o a economizar. É interessante, como complemento, oferecer bônus para quem reduz ainda mais o consumo. Mas o governo precisa amarrar pontas soltas que aumentam o risco de apagões — e acabam encarecendo o custo final do quilowatt-hora.

Ajustes estão sendo feitos. Há um consenso que diz ser remoto o risco de a hiperinflação voltar — quando os 8% que agora se contam em um ano eram registrados num punhado de dias. O próprio cenário de alta no desemprego e queda no consumo deve frear o dragão, mas a situação da energia é grave e não permite mais trapalhadas.

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