Por bferreira

Rio - Marcou-se para hoje, nas grandes cidades, nova leva de manifestações contra o governo Dilma Rousseff. A semana não foi fácil para o Planalto, que viu avolumar-se a pilha de problemas. Divulgaram-se os preocupantes números da inflação e do desemprego, e aprovou-se o texto-base do projeto de lei que ameaça os históricos direitos trabalhistas — embora muito provavelmente pouca gente vá enrolar bandeira no corpo ou bater panela contra a ameaça da terceirização.

As notícias de fato confirmam que o Brasil continua em um momento delicado, tanto na parte econômica quanto na política — e nesta o governo ainda tropeça. A semana foi pontuada de situações embaraçosas em uma dança das cadeiras da Esplanada, com precipitações, desmandos e arranjos.

O desgastado Pepe Vargas, após titubeante passagem pelas Relações Institucionais, foi acomodado na Secretaria de Direitos Humanos, no lugar de Ideli Salvatti (que já tinha ocupado o cargo de Pepe e passou pela Pesca). Antes, ele teve de negar a manobra, que acabou confirmada. Paralelamente, Eliseu Padilha, então na Aviação, fora convidado para o lugar de Pepe, mas seu partido, o PMDB, vetou.

Ao fim da contradança coube ao vice-presidente Michel Temer a importante articulação política. O mercado parece ter aprovado a solução, pois o dólar caiu muito um dia depois. O empoderamento do cacique peemedebista, contudo, não impediu a derrota do governo na votação da Lei da Terceirização. O Planalto, pelo menos oficialmente, é contra flexibilizar a subcontratação da mão de obra. A batalha na Câmara prossegue esta semana.

Sem uma articulação política forte, torna-se difícil dialogar com um Congresso mais independente e ativo, como este, e não se consegue afinar a própria equipe. Ter voz e pulso nessas duas pontas é fundamental — ainda mais em tempos de crise econômica. Espera-se, portanto, que o governo se acerte de vez na questão, até para poder responder à democrática e necessária grita das ruas.

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