Por bferreira

Rio - O Brasil vai mal das finanças. A meta deste ano é engordar o caixa do governo com mais R$ 66 bilhões (ou 1,2% do PIB previsto). É preciso garantir o superávit primário. Ou seja, o que o governo economiza para evitar que suas contas entrem no vermelho e, assim, garantir o pagamento das dívidas e atrair a confiança dos investidores.

Do bolso de todos os brasileiros o governo pretende arrancar R$ 38 bilhões (se o Congresso aprovar). Do aumento de impostos como PIS/Cofins e a volta da Cide (que aumentará o litro da gasolina em 22 centavos e o óleo diesel em 15), serão R$12,2 bilhões. Isso significa que, para o consumidor, ficará mais caro tudo que, no Brasil, é transportado pela estrada, como alimentos.

Do fim das mesadas do governo ao setor elétrico virão R$7,5 bilhões. Com reflexo no nosso bolso: conta de luz ainda mais cara. O imposto sobre operações financeiras aumentará de 1,5% para 3%. Isso dará ao governo R$ 7,4 bilhões. E os empréstimos encarecerão.

Com o fim do desconto na compra de carro e o aumento dos impostos dos produtos industrializados, serão arrecadados mais R$ 7 bilhões. Das mudanças nas regras do benefício a trabalhadores demitidos, o governo embolsará mais R$ 3 bilhões. E do aumento do imposto de importação, de 9,25% para 11,75%, mais R$ 694 milhões. O governo espera ainda obter R$ 18 bilhões com as mudanças nos direitos trabalhistas — como o seguro-desemprego, a desoneração da folha de pagamento e a pensão por viuvez. Se o Congresso não aprová-las, esta arrecadação cai para R$ 3 bilhões.

Não sou economista, mas tenho a solução para o governo obter todo o valor que pretende ganhar com as reduções nos direitos trabalhistas. E ainda ficar com o saldo de R$ 1 bilhão: basta cobrar das grandes empresas que sonegam o fisco. Veja aqui a lista: http://www.brasilpost.com.br/2015/03/28/operacao-zelotes-rbs_n_6962358.html.

Quem paga imposto pode cair na malha fina. Porém, se se trata de uma grande empresa, como as investigadas pela Operação Zelotes, cai na malha grossa, bastando ir ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Assim, grandes devedores ficam livres do Fisco e sonegam bilhões, desde que deixem R$ 500 mil no bolso de alguns conselheiros.

A devassa no Carf calcula que as fraudes podem chegar a R$ 19 bilhões! Portanto, se o governo cobrar o que grandes empresas devem de impostos, metade dos R$ 38 bilhões logo voltará aos cofres do Tesouro Nacional.


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