Por bferreira

Rio - É lamentável que tenha sido necessário a Fecomércio decidir lançar campanha estadual alertando os consumidores de que a tributação básica — a carga tributária média hoje pega 37% do PIB — é em cima do consumidor. Os empresários chegaram finalmente à conclusão de que o projeto popular (subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos em cinco estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles) sancionado pela presidenta Dilma Rousseff em 2000, que só entrou em vigor em 1º de janeiro de 2015, obriga os estabelecimentos comerciais a emitir os boletos — nota fiscal — registrando detalhadamente o percentual dos impostos que foram pagos.

É reconfortante saber que os empresários fluminenses abandonaram a postura imperial, de que se considerava sempre o vencedor, tomando agora uma medida que cabe, sem dúvida, à União.

O empresário Napoleão Veloso, do ramo de vinhos importados e exportados, diretor da Fecomércio, esclarece que a entidade dá total apoio à lei e que o governo ainda não percebeu — ou finge que não quer saber — que são os pobres que pagam impostos mais que os ricos, pois eles consomem e não sobra nada para pôr na Caderneta de Poupança.

São decisões claras, fundeadas em dados reais, muito mais concretos do que aqueles que o governo divulga. Portanto, não é guerra de versões. É uma verdade de que a população precisa tomar conhecimento. A população precisa tomar ciência de que o Estado é obrigado a ser mais transparente em mostrar — através da nota fiscal — quanto o consumidor paga de imposto.

Da mesma forma, provavelmente haverá por parte do governo e governistas alguma reação extrapolada às declarações do dirigente da Fecomércio, pois é evidente que a denúncia contra o governo, exatamente como fez Veloso, terá o apoio da opinião pública. E, sem dúvida, o que disse ele deixou bem claro a opinião do empresariado fluminense. Na verdade, o governo antecipa promessas e não as cumpre. O melhor seria evitar dançar esse samba de crioulo doido antes da hora, pois os empresários estão dispostos a desprezar o que diz o governo, pelo menos, os fluminenses.

Continentino Porto, jornalista

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