Por bferreira

Rio - A tragédia do menino Eduardo, de 10 anos, no Complexo do Alemão, morto supostamente por disparo de arma de um PM — que deveria estar ali justamente para defendê-lo —, põe de novo a política das ocupações das comunidades por UPPs no olho do furacão no Rio. Em debate promovido pelo DIA, autoridades, especialistas em segurança e representantes da sociedade civil chegaram a um consenso. É preciso mais diálogo do que bala para tocar a pacificação, assim também como já passa da hora de os programas sociais saírem do papel e os policiais no front terem melhores condições de trabalho.

Enquanto a tal invasão social pelo Estado parece ficar só na retórica, para se ter ideia do recrudescimento da violência em territórios que deveriam estar pacificados, entre janeiro do ano passado a fevereiro deste ano, das 38 Unidades de Polícia Pacificadora, pelo menos 31 registraram conflitos entre criminosos e policiais e ataques às cabines. Como bem disse o comandante-geral da corporação, coronel Pinheiro Neto, os bandidos buscam novas dinâmicas do crime, e a PM precisa mudar também.

Mudar, sobretudo, para se dar um basta a operações desastradas como a que vitimou a criança. É urgente que os policiais militares passem por uma reciclagem e melhorem as abordagens. Cadê a tão prometida polícia cidadã?

Por outro lado, é primordial que o poder público ofereça maior proteção aos policiais. É inaceitável que os agentes ainda continuem abrigados em contêineres sem a mínima infraestrutura de segurança e trabalho, enquanto os chefes do Executivo municipal e do estado discutem de quem é o dever de construir e reformar as unidades.

Que a absurda morte do pequeno Eduardo sirva como um divisor de águas na política de segurança. Que leve, enfim, a mudanças que evitem novas vítimas inocentes e mais baixas policiais.

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