Por felipe.martins

Rio - Debate-se um sem-número de questões secundárias sobre o sistema penal, mas quase não se discutem medidas para de fato reformá-lo. De que adianta bradar pela redução da maioridade penal ou defender a revista íntima de visitantes se as cadeias, por exemplo, têm sinal liberado para celulares? É uma perda substancial de saliva e energia. O Brasil deveria centrar suas atenções em pontos mais urgentes.

Em sua maioria, as penitenciárias são ajuntamentos superlotados com controle deficiente ou mesmo caótico. O rame-rame da licitação de bloqueadores de sinal de celular em Gericinó, como O DIA mostrou ontem, é mais uma prova do imenso desafio de acertar a infraestrutura carcerária fluminense. É um ponto de partida necessário para começar a pensar em todas as outras mudanças.

Algo vai muito errado quando o crime prospera justamente no lugar pensado para corrigir e recuperar quem o cometeu. Tabelas de preço de celulares — um iPhone pode custar R$ 6 mil em Bangu — provam o quão difícil é retificar o sistema penal. Qualquer discurso que ignore essa questão descamba para a solução fácil do esquecimento ou mesmo da eliminação sumária de detentos — conta que recairá impiedosamente sobre a sociedade.

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