Por bferreira

Rio - Planejar o transporte público de massa é uma arte que envolve um sem-número de cálculos, complexas planilhas, diferentes variáveis e alguns imprevistos. Como qualquer atividade, não está livre de erros. Mesmo com essa ressalva, assombra a quantidade de batatadas no desenrolar de grandes projetos de mobilidade urbana no Grande Rio. O DIA hoje faz um balanço das maiores lambanças na área — a última é a polêmica da compra de (caras) superbarcas para a travessia na Baía: gasta-se muito tempo atracando o mastodonte, cujo desembarque também é lento, e não há no momento estaleiro capaz de abrigá-lo.

Os exemplos citados na reportagem ora consumiram milhões em graves e absurdas falhas de execução, ora impuseram transtornos aos usuários. Em ambos os casos, todos saem perdendo. Prejuízos ao Erário, inaceitáveis em quaisquer situações, configuram crime de lesa-pátria em tempos de crise, como este. Topar com erros de planejamento — como as estações do BRT abarrotadas e veículos superlotados — é um martírio para quem depende dos modais para trabalhar ou estudar.

Mobilidade urbana não tem de ser dor de cabeça para ninguém. É para ser solução e, de preferência, passar despercebida — basta funcionar a contento. É pena que sobrem exemplos exatamente opostos. A perspectiva de prejuízos nas concessionárias só reforça o quadro de desalento de quem pega condução todos os dias — algo que um planejamento mais bem-feito poderia evitar.

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