Por bferreira

Rio - As informações estão aí, explodindo zilhões de vezes por segundo por todas as vias. Difícil filtrar tudo. Todos com opinião formada não querendo mudar, princípio básico da burrice. Daí que sempre defendo o jornalista na questão de ser o funil deste conteúdo. A função de ajudar a organizar o pensamento, como quando nos deparamos com muitos instrutores pela vida — pai, mãe, tios, amigos, amigos dos amigos — é muito importante. Em geral, menosprezamos a experiência alheia como se já soubéssemos tudo, mas nada como o tempo para provar como éramos tolinhos. É imprescindível ter um norte.

Nunca foi tão fácil produzir conteúdo, e é bom sentir-se ativo nesse fluxo de informações, usando o último aplicativo do momento, filmando e compartilhando, defendendo qual rede social tem mais futuro, quase perdendo o bonde porque aquela a que você se apegou agora já está passando. Nessa corrida frenética, você quer ser mero espectador ou ativo produtor de notícias?

O problema é que existe uma ânsia tão grande em denunciar o que está errado, que o produtor de conteúdo despreparado periga mais atrapalhar do que ajudar. Outro dia, por exemplo, depois de ter a bolsa furtada, uma amiga e seus amigos chamaram a polícia e... acabaram acuados diante de cinco jovens com seus celulares em punho filmando a cena. A ideia das moças era registrar caso a polícia, que estava ali como solução para o problema e proteção às vítimas, agisse de forma errada. Só que, enquanto os policiais tentavam resolver a questão com calma, elas estavam criando um tremendo tumulto, totalmente exaltadas, numa inversão da realidade. É claro que também há todos os outros casos em que o smartphone salva vidas, ainda bem! Mas é necessário um equilíbrio na avaliação. Toda verdade tem dois lados e nem tudo que parece é.

Quem é sincero e criativo, quando a mensagem é verdadeira e espontânea, quando o interlocutor é humano e não apenas repete um discurso de telemarketing, o sucesso do conteúdo é infinitamente maior. Nem só besteira e pornografia dão ibope. Há, sim, um interesse genuíno por conteúdo, por notícias interessantes, por vídeos de coisas bonitas, por textos, na internet ou não, que nos ajudem a crescer. Se no WhatsApp a mensagem é mais rápida, mas a dificuldade para se expressar ao vivo é grande, é preciso de mais vida real para os novinhos. Os veículos de comunicação estão correndo atrás, querendo cada vez mais a participação do público. Eu diria que é uma ação conjunta pelo crescimento.

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