Por bferreira

Rio - Toda criança é a obra mais perfeita do Criador. O que acontece quando se perde o potencial humano? Quando o desenvolvimento natural de uma criança é interrompido com repressão aos seus sentimentos, a pessoa se torna um adulto com uma criança zangada e magoada dentro dela. Essa criança negligenciada e maltratada contamina o comportamento adulto.

Uma criança ferida e violentada é a maior fonte de infelicidade humana e responsável por grande parte da violência e da crueldade que há no mundo. Por isso é importante a prevenção e a proteção integral apregoadas na Lei, porque criança amada e respeitada jamais será geradora de violência. As crianças como seres em desenvolvimento são carentes por natureza, e não por escolha. São dependentes dos outros para serem atendidas, acariciadas, saciadas, amadas e respeitadas.

Quando isso não ocorre, há uma perda de identidade, de contato com os próprios sentimentos, de carências e de desejos. Quando o ambiente familiar e social é de violência e de falta de afeto, a criança vai buscar satisfação em outro ambiente e encontra no vício e na violência a resposta aos estímulos negativos recebidos. Como resultado da violência recebida na infância, além da mágoa e da dor não resolvida, nasce um novo ser: o jovem agressor e o adulto violento e não desenvolvido na sua plenitude.

Todo ser precisa ser amado incondicionalmente, precisa saber que é importante, que os que cuidam dele são confiáveis e que o amam. Se esses insumos sociais falharem, teremos seres frustrados, violentos e sem adaptação social. A criança aprende a amar sendo amada. Quando as fórmulas do cuidado e do amor falham, há uma desconfiança permanente no relacionamento com os outros: estarão sempre à procura do amante perfeito que satisfaça suas frustrações e vão procurar satisfação do vazio interior no vício e na violência.

Afirmar, como faz o autor da PEC 171, que todo aquele que erra precisa ser castigado é não ter a compreensão da complexidade do ser humano e muito menos do recado dado pelo Criador de que é preciso amar para não adoecer, “é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir”.

Siro Darlan é desembargador do TJ e coordenador da Associação Juízes para a Democracia

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