Por bferreira

Rio - A corrupção existiu em todas as épocas e acontece hoje em todos os governos de todas as tendências ideológicas. A prisão de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, depois do Mensalão e do Petrolão, tem, no entanto, um significado específico (ainda que seja revogada prontamente). Seria o PT o partido mais corrupto da história? Relevante tratar quatro aspectos.

Primeiro: Vaccari não foi preso por ser acusado de ter embolsado dinheiro da corrupção. Isso pode também ter ocorrido. Mas sua prisão se deve mais por ser tesoureiro do PT e por ter recebido propina de empreiteiros e apoiadores de campanha em nome do partido para a manutenção dele no poder. Isso significa que a corrupção do PT é sistêmica.

Segundo: A independência da Justiça (Polícia Federal, Ministério Público, juízes e tribunais). Pela primeira vez na história os cleptocratas são presos e encurralados às dezenas. Quanto melhor funciona a Justiça, mais percepção se transmite da certeza do castigo. É essa certeza do castigo que pode ter relevância na prevenção da corrupção (junto com educação e medidas preventivas concretas). Não adiante apenas mudar a lei. É a certeza do castigo que vale.

Terceiro: no campo probatório está havendo uma revolução, em razão das delações premiadas. Elas mostram o caminho do crime. A PF não conseguiu muitas provas por si só. Foram as delações que possibilitaram isso.

Quarto: se a corrupção do PT é percebida como sistêmica, isso tem reflexos políticos diretos em todo o partido. E alcança, logicamente, Dilma e Lula. Então podemos chegar ao impeachment? Algo difícil agora, porque apenas a classe média está na rua protestando, sem apoio das classes baixas (oprimidos e marginalizados) nem das dominantes (encurraladas pela corrupção). No impeachment de Collor, todos estavam contra ele, a começar pelo Congresso. Dilma, dividindo o poder com o PMDB, assegura, por ora, a permanência no poder. A opinião pública (classe média) só consegue avanços quando conta com a opinião publicada (dos ricos, que mandam na grande imprensa), bem como com a opinião popular (classes subalternas, oprimidas e marginalizadas).

Luiz Flávio Gomes é jurista e professor

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