Rio - É consenso que a solução para a segurança do estado é a pacificação. Porém, o que temos visto todo dia é uma polícia truculenta e preparada para a guerra. Em 2013, explodiram manifestações populares, com reivindicações legítimas. Todas rechaçadas pelo Batalhão de Choque, que agiu de maneira implacável, tentando dizimar todo protesto. Bombas, bastões e balas de borracha não faltaram, nos reportando à nefasta ditadura militar. No comando do Choque estava o então tenente-coronel Fábio Almeida de Souza, ex-oficial do Bope, posteriormente flagrado em conversas incitando o confronto e defendendo o uso de balas de borracha a curta distância e até mesmo o emprego de armas de fogo.
Como se não bastasse, o hoje coronel Fábio exaltou o nazismo e menosprezou os companheiros de farda, chamados de “peitos de ladrilho” (termo pejorativo para os que não têm curso de caveira). Esta política da guerra sem fim reflete no método de ‘pacificação’. O termômetro já havia estourado na Rocinha, com o desaparecimento de Amarildo. Vem à tona, então, toda a arbitrariedade do major Edson e seus policiais, durante suas rondas na região, aterrorizando moradores.
Recentemente, a população foi surpreendida pela revelação de que outro major, chamado Freitas, convocava policiais voluntários para guerra na Maré, quando assumisse o comando. Escolha essa que havia recebido a bênção do coronel Laviano, comandante das UPPs.
A Polícia Militar transforma UPPs em palcos de guerra. Estarrecidos, assistimos hoje às imagens, que circulam nas redes sociais, do major Zuma, quase agredindo um pai sentado ao lado do corpo do filho. A insensatez e a insensibilidade do comando da corporação atingem frontalmente a pacificação, cuja filosofia se apoia na confiança e colaboração dos moradores.
Agora, a promessa do governador Pezão é “entrar mais forte”, com o Bope e o BPChoque. Ou seja, insistindo na política ‘caveira’ de confronto. A falta de treinamento, de equipamentos e de condições de trabalho leva cada vez mais a pacificação ao fracasso. O investimento é só para as tropas especiais. Podemos perceber que as UPPs não passam de meras ocupações precárias, que já eram feitas pela PM por muitos anos.
Rogerio Lisboa é deputado estadual e líder do PR na Alerj