Por thiago.antunes
Publicado 18/04/2015 21:32

Rio - Independentemente de tempos de crise ou de bonança, o poder público precisa pôr fim à cultura do dispêndio. Gasta-se demasiadamente e descontroladamente, como se o Erário jamais secasse. Vislumbra-se agora uma grave recessão, na qual trabalhadores temem por seus empregos, mas ainda assim não há esforço para ter decoro com o dinheiro do contribuinte.

O caso da frota de carros da Assembleia Legislativa do Rio é um exemplo. Desde quinta-feira O DIA vem mostrando dois lados de uma conta salgada e difícil de engolir.

O primeiro ato foi a revelação da compra de 20 automóveis a R$ 1,2 milhão, para que ficassem ‘de reserva’. No dia seguinte, a reportagem foi até os depósitos da Alerj e encontrou duas dúzias de veículos ‘inservíveis’, além dos quase 80 Boras recentemente ‘aposentados’ — e um quinto dos quais, apenas, será passado adiante, seja em leilão, seja doado.

A mesa diretora da Alerj se apressa em apresentar um discurso com verniz de austeridade, alegando ter reduzido a frota e justificando a troca com o fim de despesas de manutenção — como se cada um dos carrões dos nobres deputados tivesse rodado o equivalente a duas voltas ao mundo.

A questão não está em revisão de gastos. O problema são as mordomias palacianas pagas pelo contribuinte, como as infindáveis e obscuras verbas de gabinete, as emendas parlamentares e os auxílios dos mais diversos e criativos. Muitos leitores escreveram ao DIA indagando por que os deputados da Alerj não andavam de trem ou de BRT.

Isso, infelizmente, é utopia das mais alucinantes, mas é possível chegar a um meio-termo. Não há necessidade de extensa frota de carros do ano trocada com frequência, por exemplo. Essa é só uma medida. Quem dera se suas excelências se dedicassem a enxugar seus custos com o mesmo ímpeto com que legislam para aumentar seus vencimentos.

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