Editorial: Harmonia na vida cultural das praças

A questão da ocupação da Praça São Salvador, como O DIA mostrou esta semana, é exemplo em que exageros e desarmonia podem prejudicar um bairro inteiro

Por O Dia

Rio - Radicalismos para solucionar problemas do cotidiano da cidade não raro enterram boas ideias. A questão da ocupação da Praça São Salvador, como O DIA mostrou esta semana, é exemplo em que exageros e desarmonia podem prejudicar um bairro inteiro. Não sem razão descontentes com o barulho — que frequentemente descamba para a baderna, frise-se —, vizinhos bateram à porta das autoridades. Cogita-se gradear o local para pôr fim à poluição sonora.

A São Salvador firmou-se como polo cultural pulsante, cenário bem diferente do abandono de anos atrás. É mais um cartão-postal da cidade a fugir das obviedades. Com o sucesso, vieram alguns excessos: música alta até tarde da noite, confusões e brigas. O quadro ainda não é de impasse irreconciliável, mas há muitas arestas a aparar. O gradeamento, contudo, definitivamente não é a solução.

E por uma razão simples: o Rio vem reconquistando espaços. O carro-chefe dessa transformação é o Porto Maravilha. No rastro da derrubada da Perimetral, o Centro reencontra o mar e ganha modernos empreendimentos, como museus. Há exemplos menores, mas igualmente significativos, como a Praça Tiradentes. Outrora gradeada, a esplanada começa a ganhar vida própria. Já os espaços que ainda estão cercados, como o Passeio Público e o Jardim da República, sofrem com o abandono. Segregar, hoje, significa degradar?

Obviamente que não será preciso impor medida tão radical na São Salvador. Basta ter boa vontade para conversar e disposição para ceder aqui e ali, como nos horários e na venda de bebidas. Não seria justo para a cidade dar esses dois passos para trás.

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