Por bferreira

Rio - Apesar dos acontecimentos no país e no mundo, tudo aparenta estar vencido, passado e com desfechos repetitivos. Até o tornado de Xanxerê não pôde ser previsto, o equipamento estava quebrado, não se imaginava usá-lo. Essas intempéries não faziam parte da nossa realidade, mas, no entanto, vão se naturalizando, é mais uma tragédia que entra no nosso cardápio cotidiano. As consequências e prejuízos ficam para as vítimas, como sempre acaba acontecendo. A notícia vai ficando velha, as verbas destinadas ao socorro da cidade, desviadas. As pessoas vão se ajeitando como podem.

Em relação aos acontecimentos previsíveis no país, vem logo à mente a corrupção, assunto que tem cara de insolúvel, nem adianta nos estendermos. Melhor olhar para as quedas e as altas do dólar, o mercado de câmbio que precisa comprar barato e vender caro. E aproveitar a descida da moeda para comprar, o que é previsível: depois de um período de alta, vem a queda. Isso sempre se repete.

Vale lembrar que o mês de julho vem aí, época de férias, de dólar alto! O mercado também viaja no seu bolso, ganha com as suas férias. Até com a Petrobras, mesmo em baixa, se pode ganhar algum com as oscilações que dependem das notícias políticas e econômicas. São ações bipolares, ora estão na mania, ora na depressão, alternam-se naturalmente por conta dos pronunciamentos da presidenta.

Mas o que fedeu mesmo foi a cara feia da Graça Foster. Entregou a situação na fisionomia, era cara de desgraça sem graça! Perdão pelo trocadilho, foi inevitável! Ela pode estar constrangida, pagou um tremendo mico entubando a encrenca da amiga governante. Coisas da vida, mas é mesmo rodrigueano o quadro. Estamos no Brasil e isso faz parte. Como já se disse, “vira modo de vida”.

A intenção do assunto era falar da falta de novidades interessantes, felizes, as boas notícias. Mas não adianta: fica o roto que há de roto em todas elas, o previsível. Nada mais impacta, o convívio com o sofrimento e com a desfaçatez se estabeleceu e parece que veio para ficar, fazer carreira. Vai produzindo um estilo de vida empobrecido que sugere convívio com o mentecapto no dia a dia.

Estamos como as mulheres do passado, que diziam assim, em relação às suas frustrações com os maridos: “ruim com ele, pior sem ele!”. É o que temos e precisamos seguir em frente carregando aquela dor conhecida, embalada no peito resignado da pátria e do mundo, que não correspondem nem respondem à nossa necessidade de felicidade. Parecem surdos!

Fernando Scarpa é psicanalista

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