Por thiago.antunes

Rio - O ajuste fiscal em curso exige esforços de todos: praticamente não há orçamento que não tenha sido revisto nos últimos meses, em todas as esferas de governo e na maioria dos lares. A segurança pública do estado não é exceção e também precisa readequar-se.

O DIA mostrou ao longo da semana passada parte dessa nova realidade. A secretaria comandada por Beltrame precisa enxugar R$ 3 milhões de seu custo mensal por conta da crise. Ainda que as autoridades afirmem que a redução de despesas não prejudicará os planos da pasta, como a pacificação, a matemática não fecha, o que é temeroso.

Exemplo dado pelo jornal foi o contingenciamento do Regime Adicional de Serviços, o RAS, espécie de hora extra remunerada paga a policiais de folga. A partir de amanhã, o número de homens sob esse regime cairá a quase um terço. Paralelamente, alteram-se as escalas de parte do efetivo — no lugar dos plantões de 12 horas de serviço e 36 horas de descanso, jornadas de segunda a sexta —, e mobilizam-se mais policiais para “trabalhos extraordinários”, convocações sem remuneração à parte.

A secretaria garante que o arrocho não afeta seu planejamento. Mas a população tem razões para ficar intranquila com uma inevitável redução nas forças de segurança em um quadro de aumento dos roubos de rua, como atestam os índices do ISP. E em momentos de crise, a tendência é a bandidagem agir cada vez mais. Desvantagem que cresce nos dois extremos da política de segurança.

Mas a crise é mais cruel, como mostrou reportagem quinta-feira: professores do pré-vestibular social do estado estão sem receber. Parece um dado isolado, mas, dentro do contexto de desemprego e violência ascendentes, tira oportunidades que poderiam combatê-los. A matemática da crise é perversa: mais do que cálculos, exige sensibilidade para medir o menor estrago.

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