Por thiago.antunes

Rio - As cenas em que alunos de uma escola pública de Goiás, em protesto às más condições da unidade, promovem quebra-quebra considerável, arremessando cadeiras nas janelas, trazem um paradoxo. Se a Educação é a grande vacina contra a violência, como já patenteava o professor Anísio Teixeira, na primeira metade do século 20, por que vemos cenas de violência coletiva exatamente dentro de uma instituição de ensino?

Os responsáveis pela qualidade do Ensino Fundamental têm uma incumbência a mais, visto que todos temos pleno conhecimento de que os primeiros educadores, que são os pais, ou são incapazes de cumprir seu papel por desconhecimento de certos valores ou por não dedicarem tempo suficiente em razão da vida cada vez mais atribulada.

O resultado disso é que essa missão de educação de base, de transmissão de valores morais e sociais, de ensino de boas maneiras, ou mesmo de respeito aos mais velhos — coisa que vem sendo bastante ignorada pelos jovens —, ficou entregue aos professores. Não de uma forma estruturada em lei de diretrizes e bases, mas de forma que só é vista por professor que enxerga isso, isto é, por quem tem conhecimento dessa nova realidade social.

Já é tempo de o país tratar dessas questões e chegar a uma solução técnica e prática, estabelecendo diretrizes sob a forma de normativas e também adotando metodologia específica e de fácil aplicação pelos educadores. O sistema educacional deve considerar a estrutura das escolas, a importante missão dos professores, agora ainda mais evidenciada por esse novo quadro social, e a remuneração justa dos mestres.

Não se pode perder de vista também que a cultura da violência já existe no seio de certas comunidades, não obstante o esforço do governo. Portanto, deve a violência ser considerada na elaboração de nova forma de escola e de Educação, ou seja, há que se ter um mínimo de segurança para todos os alunos e professores no ambiente escolar, inconcebível que é o fato de um aluno ingressar armado na sala de aula.

A discussão que proponho deve ser levada a efeito por toda a sociedade e por educadores e órgãos do governo ligados à Educação. Deve passar pelo Legislativo, que precisa ser o lugar dessa discussão.

Martha Rocha é presidente da Comissão de Segurança Pública da Alerj

Você pode gostar