Por felipe.martins

Rio - As mudanças nas UPPs para promover maior aproximação com a comunidade são novas tentativas de aperfeiçoar esse bom projeto, demonstrando o cuidado da corporação em contornar o impasse entre moradores e policiais. Mas não é o suficiente. O assunto é complexo e, para avançar, é necessário investir mais em inteligência.

Segurar a expansão das UPPs e priorizar os ajustes do que já foi feito é considerado coerente pela maioria dos especialistas. No entanto, é preciso maior investimento em capacitação e equipamentos. E para os moradores, outros projetos sociais, algo abordado exaustivamente.

É fundamental fomentar o serviço de inteligência para identificar os criminosos que ainda se encontram em pelo menos 50% das comunidades pacificadas. O trabalho em conjunto das polícias pode ser mais objetivo por suas peculiaridades. A PM, embora atenda a políticas de policiamento ostensivo, tem como premissa a manutenção da ordem. Não foi criada nem treinada para retomar territórios.

A política de proximidade está confusa na visão do povo, pois a mesma polícia que confronta é a que almeja interagir com moradores. E estes sofrem a consequência da violência, vivendo no fogo cruzado e sob a pressão de narcoguerrilheiros — criminosos que, diferentemente dos bandidos que cometem assaltos, agem como membros de um cartel boliviano. Não adianta inserir recrutas por serem mentes novas nesse ambiente sem identificar os chefões. Rapidamente, ou esses jovens PMs estarão acuados, partindo para a guerra por sobrevivência, ou mortos.

Não podemos ser hipócritas. A criminalidade acaba se aproveitando dessa vulnerabilidade das UPPs, a maioria, inclusive, em péssimas instalações, colocando a população contra a polícia. E, por outro lado, o serviço de inteligência não atua, resultando no confronto armado. Tem que haver cooperação das polícias, incluindo a Federal, para rastrear as drogas e armas que entram no Brasil. Sem elas não haveria facções criminosas. É utopia achar que eliminaremos um mal que assola o mundo inteiro. Mas, sem dúvida, há meios mais eficazes. Já passamos da hora de encontrarmos novo rumo para a segurança pública no Brasil.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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