Por bferreira

Rio - O que está ocorrendo no Brasil com a entrada dos jovens na política depois das manifestações de junho de 2013? Os movimentos apartidários trouxeram para o centro do debate massa de jovens entre 16 e 24 anos (que representam 19% do eleitorado) que não são de direita nem de esquerda, mas que querem participar das decisões nos rumos do país a partir dos escândalos do governo Dilma.

Ser de esquerda ou de direita está fora do contexto para explicar o que vem ocorrendo no Brasil. A literatura da ciência política já não coloca o embate político em cima de quem é social-democrata dentro dos postulados da velha esquerda ou da cartilha dos neoliberais que defenderam o Estado Mínimo e aceitação da desigualdade como consequência das leis de livre mercado.

Pesquisas recentes mostram que 66% do eleitorado não tem partido. O PT, que governa o país há 12 anos, está em extinção, com apenas 14% dos simpatizantes. O PSDB, considerado neoliberal, se junta ao PMDB, com 6%. Diante deste diagnóstico, surge a fusão do PSB com PPS — considerados de esquerda moderada — como nova agremiação buscando pautas de campanha para angariar os ‘sem-partido’.

Os jovens conectados formam massa de eleitores que vão influenciar o destino do país. Estudos mostram que 70% entram diariamente nas redes sociais e que estão interessados no debate político, embora distantes do jogo eleitoral tradicional. Enquete do Data Popular apontou que 70% acreditam que o voto pode mudar os destinos do país, mas 59% acham que o Brasil estaria melhor sem os partidos. Os números são impressionantes e dicotômicos para explicar quem é direita e de esquerda.

O governador Pezão, semana passada, levou para o Palácio Guanabara jovens de várias favelas para ouvir suas queixas depois dos episódios de mortes por bala perdida e por ações truculentas da polícia. Ao trazê-los para o debate, o governador toma ação pioneira, sem populismo, e cria grande ouvidoria de representantes das comunidades, mas ouvindo o clamor, a angústia e os anseios destes segmentos — que nunca entraram no Guanabara — para debater com a maior autoridade do estado suas prioridades. Esperamos que o governador cumpra nos seus quatro anos de mandato o encontro mensal que prometeu: ouvir esta massa de jovens que estavam ao léu.

Wilson Diniz é economista e analista político

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