Por bferreira

Rio - A decisão da direção do Colégio Pedro II de terminar com a norma de eliminação do aluno que repete o ano mais de uma vez é um estímulo ao faltoso, negligente que não sabe o valor da oportunidade de estudar em educandário com a tradição de qualidade deste que leva o nome daquele que muitos consideram o maior dos brasileiros.

O diretor do colégio Oscar Halac critica o desligamento dos repetentes como que sendo um ato do período militar, que ele denomina de “ditadura”. Ora, o regime pode ter cometido seus equívocos, mas o simples fato de haver tomado a medida, que segundo a matéria de Paloma Savedra publicada aqui em O DIA, cercada de controvérsias internas, não a torna indevida. Exceto que o professor queira também eliminar o Funrural, criação do Presidente Médici, que foi antes das bolsas criadas no governo Lula o maior programa social da história, para ficar em um simples exemplo de que coisas não devem ser tratadas sob este ponto de vista.

Não é a primeira vez que o atual Pedro II faz política de revanchismo explícito. O vice-presidente da República Almirante Augusto Rademarker foi aluno e mais, presidente da Associação dos ex-alunos do Pedro II. Com o prestígio que tinha no período militar, onde foi ministro da Marinha e depois vice-presidente da República, obteve recursos para o Pavilhão de São Cristóvão do Pedro II, que por causa disto recebeu seu nome. O Conselho do Colégio foi coagido a retirar o nome que estava na fachada, ali colocado não pelo almirante ser de direita ou esquerda, mas por ter como ex-aluno e representante eleito pelos mesmos não ter se esquecido do colégio quando teve oportunidade de o apoiar.

O diretor faz uma referência ao fato de o colégio reservar metade de suas vagas aos cotistas, índios, negros e pardos, e o restante para alunos com renda familiar igual ou inferior a um salário e meio, como registra Paloma Savedra. A tese até que pode ser válida, mas nunca no Pedro II. Foi-se, então, o tempo em que entrar no grande colégio era um verdadeiro vestibular e um valor que o aluno carregava pelo resto da vida com orgulho. O justo seria limitar o ingresso aos egressos de escolas públicas, respeitadas as cotas previstas em lei, e o Brasil continuar a ter ali um centro de excelência. Agora sabemos que temos um novo Pedro II, bem diferente do antigo.

Ainda bem que estas decisões não são unânimes no dedicado e ilustre corpo docente da instituição. O bom senso ainda pode prevalecer.

Aristóteles Drummond é jornalista

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