Por bferreira

Rio - Em um país com sérios problemas de atendimento médico em sua rede de saúde pública, o alerta dado pelo governo para entrada de uma nova doença transmitida pelo mosquito da dengue soa como uma bomba. A ameaça atende pelo nome de zica vírus e já há casos suspeitos em seis estados do Nordeste. O zica vem se juntar à chikungunya e à dengue, sendo que esta última já ganha o status de epidemia. Em todo o país, quase 800 mil pessoas estão infectados, a metade em São Paulo e mais de 200 mil no Rio de Janeiro.

Os números alarmantes assustam a população e preocupam as autoridades sanitárias. Mas também não deixam de ser um atestado de incompetência no combate a um velho conhecido dos brasileiros, o aedes aegypit, causador das três enfermidades. Por falta de uma política pública consistente e nacional, por mais de duas décadas o mosquito da dengue encontra solo fértil e vem se espalhando por aqui.

As campanhas contra o aedes pecam pela sazonalidade. Em vez de todo o ano, costumam acontecer quando a doença atinge um grande número de pessoas, seguindo a velha política de trocar a tranca depois da porta arrombada.

Por outro lado, a proliferação de vetores pela água é facilitada por outra demanda histórica e insolúvel, que há décadas aflige os brasileiros: a falta de saneamento básico em mais de 60% dos lares, em pleno século 21.

Portanto, já passa da hora de esses temas saírem do discurso fácil e serem tratados como prioridades de Estado. O combate ao mosquito é tarefa de todos, sim. Mas o governo precisa fazer o dever de casa. A começar por eliminar as valas de esgoto que correm a céu aberto e a colocar água encanada nos domicílios de milhões de cidadões que não contam com esse serviço básico e vivem sob risco permanente de contrair várias moléstias.

Você pode gostar