Por bferreira

Rio - Depois de ver as finanças do estado se esvaírem e ter exposta a crise na segurança pública, o governo do Estado do Rio se encontra em xeque em relação ao futuro das unidades de polícia “quase” pacificadoras. Em especial, o Complexo do Alemão, comunidade até então fantasiosamente tida como pacificada pelas autoridades. A grave e tão anunciada crise na segurança traz à tona diversos problemas, como a falta de dinheiro para a compra de tornozeleiras para monitorar presos custodiados, falta de atendentes nas delegacias “quase” legais, devolução de viaturas da Polícia Militar que foram alugadas e hoje não existe verba para manter o contrato, falta de munição, armamento e treinamento do efetivo policial, entre outras coisas.

Em meio a tantos problemas e diante de um grande “complexo de identidade”, que prioriza a conduta política, em detrimento às necessidades do cidadão, o governo fala na reocupação do Complexo do Alemão valendo-se desta ideia como tábua de salvação de sua política de pacificação sem paz que, talvez para o sofrimento de muitos, seja feita a qualquer momento em uma ação pirotécnica e circense como das outras vezes.

Grave erro de estratégia seria pensar em reocupar o Complexo neste momento em que é visível a insatisfação da população, diante das muitas falhas e erros cometidos pelos agentes. Com relatos de abusos de autoridade, cerceamento dos direitos do cidadão, casos de maus-tratos, balas perdidas, homicídios e aumento gradativo da violência e disputa entre os bandidos da região em busca de território.

Soma-se ao fracasso da política de pacificação o fato de os serviços públicos não terem chegado à comunidade da forma como foram prometidos. Agora o governo se encontra na boa e velha encruzilhada para a escolha do melhor caminho.

Esperamos que este caminho seja em primeiro lugar o de diálogo com a comunidade. Paralelo a isso, que finalmente os gestores da segurança consigam descobrir a importância da valorização do policial, através de treinamento, compra de equipamentos, salários e condições dignas de trabalho. E finalmente que o “complexo do governo” se converta em solução para o Complexo do Alemão e de todas as comunidades.

José Ricardo Rocha Bandeira é Pres. do Cons. Nac. de Peritos Jud. do Brasil

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