Editorial: Os gastos da Alerj em tempo de crise

O Brasil despreza a cultura do Poder Público econômico e funcional: grassam gastos, folhas de pagamento volumosas e mordomias variadas em todas as esferas

Por O Dia

Rio - A Assembleia Legislativa do Estado do Rio parece se esmerar em descolar-se da realidade com a sucessão de notícias negativas, todas a respeito de gastos excessivos, a despeito do grave período de crise que os fluminenses e os brasileiros vivem. A polêmica da vez envolveu os estagiários. Acuada pela opinião pública, a Casa tratou de amenizar a repercussão do aumento exorbitante do benefício. Propôs-se pagar R$ 2.800, valor maior do que o piso de alguns professores do estado, mas o reajuste foi suspenso. Novo valor será definido semana que vem.

O caso teve outro ponto delicado. A Mesa Diretora relutou em divulgar a relação dos estagiários, contrariando a Lei de Acesso à Informação. Mais uma vez cedendo à pressão, a Alerj liberou a lista, que revelou o nome de parentes de deputados. Contratações sensíveis, uma vez que não dependem de concursos nem de complexas seleções. Não é o melhor exemplo de lisura.

Não faz nem um mês que a Assembleia se viu obrigada a se explicar para a sociedade. O episódio dos automóveis de reserva, como discutido neste espaço, também atentou contra a Casa.

O Brasil despreza a cultura do Poder Público econômico e funcional: grassam gastos, folhas de pagamento volumosas e mordomias variadas em todas as esferas. Infelizmente são exceções atitudes como a do prefeito Alair Corrêa, de Cabo Frio, que empreendeu série de cortes no Orçamento, a fim de o município se readequar à crise. É uma pena que este pensamento custe tanto a virar regra.

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