Ruy Chaves: Coragem e fracasso

Viver a perspectiva do outro, a condição do outro para compreender e ser um com o outro, dar-se ao outro, significa muita coragem

Por O Dia

Rio - Jovem ainda, Míope Astigmático o meu nome, há 2.415 anos ouvi de Sócrates: “A coragem é a primeira virtude, porque permite as outras.” Quanto ainda não consegui compreender! Aprender a aprender é a arte fundamental da vida. A sabedoria, que impõe o amor pelo saber, é ato de coragem. Buscar o saber não dói, mas o caminho é longo e sinuoso, impõe transpiração, além de coragem e perseverança.

Não há amor se não há coragem de vivê-lo. Viver a perspectiva do outro, a condição do outro para compreender e ser um com o outro, dar-se ao outro, significa muita coragem. A coragem é imprescindível no fracasso, que não pode ser a consequência da derrota. O fracasso não pode ser o fim, tem que ser recomeço sempre, novas e melhores oportunidades de fazer com mais sabedoria. O fracasso precisa ser aprendizado sempre. Quem vive sob o temor do fracasso normalmente fracassa.

Aprender com o fracasso do outro é sabedoria e dói menos que no outro, que fracassou. Muitos não aprendem com o fracasso do outro nem com o próprio, o que dói muito mais: não aprendem nem crescem. A cabeça do outro é sempre outra, e a experiência do outro é sempre outra e única, mas...

Justiça e honestidade são virtudes de extrema coragem, lamentavelmente desprezadas por muitos homens. Injustiça e desonestidade algumas vezes são escolhas mais fáceis e trazem falsas recompensas para os sofistas de todas as épocas. Ninguém é justo e honesto se não por extrema coragem.

O injusto e o desonesto têm falsa coragem e são fracassados. Optam por caminhos indignos para a realização de suas necessidades, incapazes de lidar racionalmente com a vida e de amar o outro. Seguem a parte mais proeminente de sua natureza, o dedão do pé. Não honram o Pai, nem a Mãe, nem o Filho, nem o Espírito Santo.

O injusto e o desonesto não pensam, porque pensar lhes dói, são apenas ação por instinto. Surpreendidos em más ações, choram, atores dramáticos sempre puros e injustiçados. A culpa é sempre do outro. Seus grandes heróis são os sofistas para quem praticar uma injustiça é por natureza um bem, sofrê-la é o mal.

A dor da sociedade não os constrange. Panta rei!

Ruy Chaves é diretor da Estácio e da Academia do Concurso

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