Siro Darlan: Uso e abuso de drogas

Uma das mais tradicionais instituições do Brasil, a Academia Nacional de Medicina promoveu simpósio para debater o uso e a liberação da maconha

Por O Dia

Rio - Uma das mais tradicionais instituições do Brasil, a Academia Nacional de Medicina — fundada por D. Pedro I em 30 de junho de 1829 e que congrega 100 acadêmicos, dentre os maiores luminares, e cujo objetivo é contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento de boas práticas — promoveu simpósio para debater o uso e a liberação da maconha.

Nenhum local é mais adequado científica e socialmente para debater o tema do que na área médica. Seus profissionais fazem uso das mais variadas drogas em seus pacientes, conhecendo como ninguém os benefícios e efeitos colaterais. Mentes brilhantes, como os acadêmicos Adolfo Hoirich, Roberto Soares de Moura e Antonio Egídio Nardi, os professores Marcelo Santos Cruz, Luciana Boiteux, Talvane de Moraes e Ronaldo Laranjeira e a juíza Maria Lucia Karan debateram e apresentaram suas teses.

A escolha do tema engrandece a instituição e devolve ao campo científico a autoridade para identificar as consequências do uso e dosagem certas de substâncias, as quais a legislação — ultrapassada e sem o saber necessário — tipifica como crime. O debate mostrou que está na hora de acabar com essa guerra suja e hipócrita que tem feito muito mais vítimas que a própria droga, além de contribuir para o incremento da maior droga que nos atinge — com efeitos colaterais fatais —: a corrupção.

Está na hora de levar esse debate ao Congresso por meio de cientistas especializados para esclarecer a sociedade que a melhor ferramenta para combater o mau uso das drogas é a educação e o esclarecimento, que a guerra impede que se faça por puro preconceito e interesses econômicos escusos.

Quem ganha com essa guerra, se até mesmo aqueles que a declararam no passado já estão repensando suas posições? No mundo todo agentes da lei, sérios e comprometidos com o esclarecimento e o combate à hipocrisia dos proibicionistas, trabalham por uma política de redução de danos que passa pela regulamentação do comércio de drogas e por ampla campanha de educação dos jovens.

Estratégia semelhante obteve êxito com o uso do tabaco e contra o vírus HIV, permitindo às pessoas, com liberdade e responsabilidade, escolher a droga e a forma de prazer para viver ou para morrer conscientemente.

Assim fazem os profissionais de saúde, que sem qualquer contestação o fazem com o maior respeito aos princípios da saúde e da vida, como juraram por Hipócrates.

Siro Darlan é desembargador do TJ e coordenador da Associação Juízes para a Democracia

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