Vanessa T. Muller: O cérebro em animação

Pode ser que nosso cérebro não seja tão divertido quantos os personagens em 3D, mas certamente tão dinâmico e complexo o é

Por O Dia

Rio - O cérebro humano durante muito tempo foi subestimado em sua relevância por seu baixo atrativo macroscópico comparado a outros órgãos, como o pulmão e coração. Um exemplo disso é que os egípcios antigos, quando mumificavam os mortos, jogavam fora o cérebro, mas preservavam com todo o cuidado o coração.

Essa estrutura, com uma consistência entre manteiga gelada e geleca de criança, apresenta um peso estimado de um quilo e meio e fica protegida pelo crânio. Fato é que praticamente nada se observa a olho nu olhando para um cérebro. E hoje em dia? Ao ligar a televisão deparo com um trailer de um filme da Pixar chamado ‘Inside Out’, adaptado para o português como ‘Divertida Mente’, em que Riley, personagem principal, é guiada pelas emoções. Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza são personagens que vivem no ‘centro de controle’ dentro da mente de Riley. O interessante é que Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tenta se manter positiva, mas a emoções entram em conflito sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola.

Pode ser que nosso cérebro não seja tão divertido quantos os personagens em 3D, mas certamente tão dinâmico e complexo o é. Hoje, com os avanços científicos e tecnológicos, podemos apontar o conjunto de circuitos que mantém o nosso processo vital ativo. Com a ressonância magnética funcional, podemos ver o hipocampo reter a memória, observar o córtex pré-frontal fazer um julgamento moral e reconhecer os padrões nervosos associados à diversão e à empatia — e até a alegria em ver um filme divertido.

A pesquisa neurocientífica prossegue. Aonde vai parar? Provavelmente o cérebro é tão complexo que nunca em sua plenitude se desvendará.

Vanessa T. Muller é médica do Hospital da Santa Casa de Misericórdia

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