Por bferreira

Rio - Entre as reformas propostas pelo ajuste fiscal, uma merece ser mais bem conhecida pela população. Trata-se da questão das pensões, que, no Brasil, vêm se transformando numa vergonhosa forma de se burlar a lei, sem ética e sem moral, nas aberturas que a legislação ultrapassada permite. E os prejuízos são imensos.

Os militares cancelaram muitas das formas de onerar o Erário, como a adoção por parte de avós de netas, fazendo com que muitos oficiais permanecessem por um século recebendo, por si ou descendentes. Outra prática, que ainda vige, é a do oficial viúvo se casar com mais de 80 anos, com mulher jovem, seja uma empregada, sobrinha, para garantir a pensão. No setor público, a coisa já vem andando bem. Não é justo que um magistrado se case aos 80 anos com uma menina, e esta vire sua pensionista.

Na Previdência, esses vícios se repetem. A proposta do governo é moralizadora, e a oposição erra ao explorá-la politicamente e combater o que está correto. Por isso, a oposição não decola, e a insatisfação popular se perde nos panelaços. Oposição é para criticar e combater o que está errado, não o que está certo.

Nesses tempos de crise, as reivindicações devem ser contidas. Exceto as injustiças, que existem, e os sindicatos nem sempre sabem defender com isenção, levando logo para o lado radical e apelando para greves, sem usar de argumentos fortes e ponderados. É o caso dos previdenciários. São milhares os servidores, hoje prestando bons serviços à população, que recebem mil reais e gratificação de até seis mil, não podendo pedir a justa aposentadoria, pois a renda cairia à metade.

Estas distorções sendo corrigidas dariam autoridade ao governo de conter os pedidos que, neste momento, não podem nem devem ser atendidos por contrariar uma política de austeridade. Mas uma coisa é segurar aumentos, e outra é não corrigir injustiças. Portanto, a questão dos previdenciários deve ser vista, tratada com seriedade, mas sem greves, que, no passado, desgastaram a categoria. A população sabe reconhecer o uso do bom senso!

Aristóteles Drummond é jornalista

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