Por bferreira

Rio - Com a derrubada, pela Alerj, do veto do governador Luiz Fernando Pezão, está banida do Estado do Rio a revista íntima nos presídios, prática medieval que sabidamente só prejudicava os escrutinados, pois sempre se encontravam itens proibidos nas celas — prova de que há outros meios para traficar celulares, drogas, armas e o que mais a população carcerária pedir.

No último domingo, esta página publicou artigo de Daniel Lozoya Constant Lopes, defensor público do Núcleo de Direitos Humanos, e Rodrigo Baptista Pacheco, segundo subdefensor público-geral do Rio de Janeiro, em que elencaram argumentos sólidos pelo fim da prática. Entre 2012 e 2013, no Estado de São Paulo, praticamente nenhum visitante submetido à revista íntima foi flagrado trazendo algo. E o volume retido nas inspeções não correspondia a sequer 10% do total retirado da cadeia.

De onde se conclui que a corrupção e a conivência de alguns que gerem os presídios ainda são os furos maiores da peneira. E consertá-la é muito mais difícil que instalar equipamentos de vigilância para pegar visitantes mal-intencionados ou travar o sinal de celulares no entorno, o que libera crimes como o golpe do falso sequestro. O que não pode é se obrigar cidadãos a se despir, saltar e expor as partes íntimas a desconhecidos e achar isso normal.

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