Editorial: Enem e a crise da Pátria Educadora

Por enquanto ileso às tesouradas de Joaquim Levy, o Prouni enfrenta o fantasma das fraudes

Por O Dia

Rio - Com a rasteira dada pelo ajuste fiscal, a Pátria Educadora da presidenta Dilma Rousseff encontra enorme dificuldades para se manter. Como exposto mais de uma vez neste espaço — ontem, por exemplo, o Editorial versou sobre os futuros danos do recente corte de R$ 9 bilhões na Educação —, acumulam-se revezes. Os mais agudos se acham no Fies, o programa de financiamento que pôs milhares de jovens na faculdade e que agora se vê no bojo do contingenciamento. Por enquanto ileso às tesouradas de Joaquim Levy, o Prouni enfrenta o fantasma das fraudes, como noticiado hoje: até mortos receberam o benefício.

No meio desta intempérie vem o Enem, cujas inscrições começaram ontem e vão até a semana que vem. O exame também acusou o golpe da crise econômica, com taxa mais cara e mais rigidez para isentos. Há regras para torná-lo mais seguro, como manter os alunos em sala por meia hora antes do início do teste. Mas é preciso ir além da logística e da infraestrutura e tentar enxergar o propósito da prova em tempos de crise.

O Enem hoje é mais um imenso processo de ingresso ao Ensino Superior e menos uma radiografia das escolas. Muitos o fazem pensando no Sisu, no Prouni e no Fies. Se o ajuste comprometê-los, pouco restará a defender do certame. A Pátria Educadora, mais uma vez, precisa se impor. Ou é só um verniz?

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