Por paulo.gomes

Rio - Em 15 meses o Rio será palco de um dos eventos esportivos mais importantes do mundo. Quem anda pela cidade pode ver obras acontecendo, pessoas se preparando, o comércio e a indústria hoteleira com grandes expectativas, mas também muitas preocupações. O principal desafio é que, com o término dos Jogos Olímpicos, a cidade continue sendo polo de atração de eventos.

Entre os tantos preparativos chama a atenção o aumento significativo de acomodações. A estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (ABIH-RJ) é que até o fim do ano o Rio conte com 48 mil acomodações para os Jogos, com previsão de 51,1 mil para o ano seguinte. Grande parte desses quartos será preenchida com encontros e eventos corporativos, se for feito um bom trabalho. Não é do dia para a noite que o número de famílias que decidem viajar para o destino acontece, nem com a melhor das campanhas.

Num evento para debater o assunto (‘Rio 2017 – Um futuro de oportunidades’), cheguei a sugerir que o evento se chamasse ‘Rio 2027’. Afinal, as mudanças e a consolidação de uma cidade não acontecem de uma hora para a outra. É necessário planejamento. Um dos principais passos para aquecer essa demanda é pensar de forma estruturada. Quais eventos não viriam antes para o Rio e que podem vir agora? A quais públicos a estratégia deve ser direcionada?

Como qualquer lugar, o Rio tem prós e contras, assim como Barcelona e Londres. Com o dólar em alta e com a proximidade geográfica, esse pode ser ótimo ponto de atração. Outra vantagem é a alta densidade demográfica, o que também favorece eventos nacionais. Além disso, a ascensão da classe média formará público potencial que investe em eventos de entretenimento.

Com uma boa ativação da campanha dos Jogos, muito além da infraestrutura, as possibilidades criadas com a exposição da cidade são imensas. Meu conselho para o Rio e para o Brasil é: construam plano de negócios real e apropriado, dividam-no em ações, quantifiquem-nas, determinem responsáveis e prazos. É preciso saber conduzir a onda formada pelo movimento da Olimpíada, usar os Jogos Olímpicos e não deixar que eles os usem.

Roger Tondeur é presidente da MCI Group

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