Por bferreira

Rio - O Chile está em meio ao debate da proposta da sua presidenta de acabar com o ensino privado no país, que vinha sendo apontado como o mais moderno em gestão da América Latina. Mas a socialista, neste segundo mandato, quer implantar seu programa, apesar do desgaste depois que foi eleita “sogra do ano” ao autorizar empréstimo de banco oficial para a nora especular no mercado imobiliário e ganhar dez milhões de dólares com informação privilegiada.

Volta e meia o tema é abordado no Brasil, apesar de termos dois terços das vagas universitárias na rede privada e o ensino de Nível Médio de qualidade estar também entre os particulares, como atestam as avaliações oficiais. O ensino público gratuito é muito caro. O aluno não paga, mas o Erário paga mais do que as mensalidades cobradas no setor privado por aluno matriculado. Assim é que aparecem nas listas dos maiores salários professores catedráticos, como é o caso da USP e da Universidade da Paraíba.

O dever do Estado deveria ser o de dar qualidade à Educação e oferecer mais dispositivos de estimular vagas nas escolas privadas. No Ensino Básico, os custos, apesar dos baixos salários, são altos pela precária manutenção das escolas e má gestão da merenda escolar. E frequentes greves.

A Educação tem orçamento robusto, mas os serviços não prestam. E avaliar custo é fácil, uma vez que a rede privada está aí, com balanços publicados. Algumas em crise em função da inadimplência protegida pela legislação, o que, com a crise, deve se agravar e desgastar ainda mais a credibilidade do país entre investidores. Hoje, já temos acionistas estrangeiros em grupos educacionais de relevo.

Prestigiar o ensino privado seria grande investimento na Educação e no social. Afinal, dar bolsas a um quinto dos alunos da rede particular seria estimular desde cedo os filhos da burguesia ao convívio com os menos favorecidos, despertando a solidariedade e a responsabilidade social. Parte de nossos problemas advém do simples fato de um jovem que só frequentou escolas particulares não ter tido relação com aqueles cuja renda familiar não chega nem perto do valor de uma mensalidade.

Valorizar o professor, incrementar o ensino técnico e despolitizar o tema é fundamental, uma vez que crise se vence com mão de obra preparada. Vide o ressurgimento rápido da Alemanha capitalista no pós-guerra.

Aristóteles Drummond é jornalista

Você pode gostar