Por bferreira

Rio - A Fifa, por trás do envernizado discurso a favor da “paixão pelo futebol”, mantinha gigantesca estrutura multinacional e fazia renhida defesa de seus bilionários interesses, sobretudo com seus patrocinadores (ou “parceiros”, como diz). Ao mesmo tempo, cultivava características palacianas, tal como uma Cúria, cujos dirigentes cumpriam protocolares processos eleitorais, uma vez que tudo aparentava ser jogo de cartas marcadas. Diante de tamanho poder, não é de se espantar, portanto, surgirem graves denúncias de corrupção, como O DIA detalha na edição de hoje.

O trabalho do FBI e da Justiça dos Estados Unidos, que entraram na história por causa dos bancos americanos supostamente envolvidos nas tramoias, pode desnudar esquemas lesivos tal como tem feito a Operação Lava Jato — e como o fez o Mensalão. Guardadas as devidas diferenças e proporções, estes dois processos revelaram no Brasil pesados malfeitos e os intrincados caminhos da corrupção. Ambos mostraram como lidar com os interesses e as vontades de políticos e de que forma burlar licitações para lucrar com as ricas estatais.

O mesmo esclarecimento pode resultar das operações em curso na Suíça, que, como salienta a reportagem do DIA, estão apenas na “ponta do iceberg”. As prisões de agora versam sobre propinas e desvios acerca dos direitos de imagem em torneios geridos pela Fifa e seus executivos. Há muito mais a investigar, como a escolha das sedes de Copas e até a combinação de resultados.

Pode ser o início de uma era moralizante nas grandes companhias do futebol — desde que não poupe ninguém e, de preferência, veja como as negociatas são replicadas em outras entidades, principalmente a Confederação Brasileira de Futebol. Compartilha-se no caso da Fifa o sentimento aflorado pelo Mensalão e pela Lava Jato: punir os responsáveis, corrigir falhas e aprimorar processos.

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